Estou voltando...

Irritando Alcione Ferreira

                                       

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   

Foto:Alcione Ferreira

 

Ando sentindo falta de coisas recentes. Que tem de mais? Sei não, mas acho estranho.Normal é sentir falta de coisas que ficaram lá pra trás, de quando as estações eram mais definidas e ninguém nunca tinha ouvido falar nessa praga de aquecimento global. Ando sentindo falta de acordar ( geralmente aos sábados) e notar nos meus olhos um certo brilho, certa alegria. Ando sentindo falta também de sentir curiosidade.  Que raios de vida é essa, o sujeito acorda, reza, toma banho, sucos miraculosos para anemia, come um cereal em pé mesmo, na cozinha. Pensa na danada da blusa que vai combinar com aquela calça, que tem que ficar bem com aquele tênis ( em jornal meninas fotógrafas não têem muitas opções de vestuário, devem trabalhar assim  para evitar certos  acidentes) e vai trabalhar, torcendo para pegar um ônibus com cadeira vazia. Bom... de resto, trabalha-se, às vezes muito, às vezes pouco, às vezes assustadoramente muito. Depois é ônibus, pensar no dinheirinho trocadinho pra satisfazer o cobrador  ( é uma pequena gentileza que sempre penso em fazer por esses caras que andam o dia inteiro sentados e são obrigados a usar aquele modelito medonho de sapato preto com meia social preta... puta merda, é o mínimo que eu posso fazer).

Mas, voltando ... estou precisando dar um tempo dessa cidade, urgentemente. Queria passar um tempo de licença, pra ver se fico com saudade e desejo de retornar. Fora isso queria também fazer algo pela minha fotografia... já tô com vergonha, não faço nada mesmo, fazer algo por minha fotografia não é só estar fotografando... queria investir, sabe, fazer cursos interessantes com criaturas que pensam a fotografia de uma forma mais  simples, sinto tanta falta das aulas no Observatório ( olha aí, sentindo falta de algo recente)... manter contato com aquelas pessoas foi o melhor começo que eu  poderia querer. Chega uma hora  que dá cansaço de ver a fotografia ser encarada só e unicamente como espetáculo, ou como descrição, que repete o que está no texto, a fotografia didática. Fotografia é algo muito mais simples e por isso mesmo é muito maior que isso. Certa feita um colega chegou pra mim todo desconfiado e perguntou:

__ Saca Walter Firmo, né?

__ Sei. Adoro o trabalho dele. Por que?

__ Oxi, o povo fala que ele é  um dos melhores fotógrafos do Brasil , mas... sinceramente, o cara recebeu uma pauta pra fazer uma foto de Pixinguinha e fez uma foto do cara meio de lado, nem aparece o rosto dele direito, ele nem pediu pra Pixinguinha olhar pra câmera. Isso é fotógrafo bom pra tu, é???

__... ... ...

 

Depois dessa ele saiu todo contente, tipo não sou fotógrafo mas entendo do riscado e deixei a menina sem argumento . Fiquei quieta, calada, imóvel uns quinze segundos. Depois fiz a única coisa possível pra mim diante de tanta perplexidade: comprei um picolé bicolor e permaneci em silencio pra não chorar.

                                                                                               Foto:Walter Firmo 

Acima, a maravilhosa foto da discórdia...                                                                                                                    

 

 

 

ô, maguinho...

Os dias passam lentos

 Foto: Alcione Ferreira

 

Antes de começar esse texto, estava pensando qual estorinha seria melhor de contar para justificar essa ausência. Tanto tempo sem escrever. Bom... pra começar acho que das 120 desculpas catalogadas nenhuma se destaca mais que as outras, enquanto escrevo já estão, inclusive, me ocorrendo tantas outras, por exemplo esse teclado, que deve ser, desconfio, algum teclado de máquina de escrever customizado para  microcomputadores. O bichinho é ruim e faz calo nas pontas dos meus dedos. É sério! Com um teclado desse não dá lá muita vontade de escrever não. Mas hoje é sábado, e contrariando  a natureza cá estou eu, desde as 7h20 da manhã de plantão no jornal. Fazer o quê? Poderia arrumar meu armário que está cheio, abarrotado de coisas e coisinhas que não faço a mínima idéia de porque raios  guardei como se fossem preciosos documentos. Tenho essa mania, dificuldade de me desfazer das coisas, dos papéis, papeizinhos, das notinhas, dos números de telefones anotados em rascunhos sem o nome do dono ( faço muito isso), nota fiscal da padaria, tenho um monte, comprovante de operação em caixa eletrônico, é importante guardar, eu sei, mas não os antigos, que já perderam a cor. E solicitações de pautas, Cristo, por que guardo isso?

Quando Palhares (ô, saudade) trabalhava aqui e dividia o armário comigo ficava fulo da vida porque meu lado sempre ficava tão cheio, que vez por outra coisas desmoronavam pro lado dele, sempre que o coitado abria a porta:

__Alcione, tá bom de tu fazer uma faxina no teu lado do armário, né?

__ Anh... eu vou fazer...

__Quando?

__Então, eu vou fazer, ô...

 

Pois é, hoje poderia ser um dia de faxina, mas a coragem física não prevaleceu. Não que acertar as contas com o Hardnews seja mais fácil... digamos que já estou por aqui, sentada na frente do computador... sendo assim...assim sendo. Pra falar a verdade, o hard parou não por motivo de férias ou falta de assunto,muito pelo contrário. Quando acaba o dia e me recolho ao silêncio do meu sacro santo lar, ou voltando a pé do supermercado, ou indo pra casa dos meus pais de ônibus ( viagem longa e sem curvas para o balneário de Prazeres ), ou dentro do carro do jornal, abstraindo pela janela do carona, ou no banho lavando a cabeça... sempre lembro de algo que daria um post . Fiz muito isso durante esses meses sem atualiza-lo, agora pergunta se anoto, faço esboço e guardo? Hmr !, como costumava resmungar minha vó, complementando em seguida: “Só essa daí, mesmo...”.

No final das contas e frigir dos ovos... o hard assim como essa mania de blog, depois de muito alvoroço e entusiasmo, tem uma hora que pára mesmo ou dá um tempo, foi o que me aconteceu. Acho blog um negócio fantástico,mas a vida as vezes nos impõe novas tarefas que muda a antiga rotina para uma outra ... e aí tem esse período mesmo em que ainda que eu tenha todo tempo do mundo para escrever, não vou faze-lo, mesmo com assunto e vontade. Blog  é assim, democrático, há os que têem compromisso  e os que não. Assim, simples. O motivo do bandono nem sei, mas a preocupação de manter esse espaço vivo é o de manter relações com as pessoas que vêem aqui, são poucas, mas isso  não tira a graça do negócio, algumas que me surpreendo quando dizem : “visito teu blog, mas vc nem sabe”, acho massa. Nem sabia que iria voltar hoje, agora... nem o que iria escrever. Mas tá aí, pra quem ainda se aventura em dar uma olhadinha nesse espaço.

 

 

Post Novo Pro Meu Povo

 

FOTO: Alcione F.

Lá se vão pouco mais de dois meses e este espaço, assim como sua dona, estava ibernando. Vou retornando aos pouquinhos, resolvi postar hoje só por curiosidade. Tinha que fazer isso pelos três únicos leitores do hardnews.

Eu Recomendo:

 

1-     Dar uns pulinhos, não muito altos, com os dois pés juntos;

2-     Bolsa de gel gelado nas têmporas, para aqueles dias de enxaquecas apocalípticas;

3-     Ao entrar no carro voltar a cabeça para o seu lado direito e abstrair. Isso só se vc for o carona. Claro.

4-     Dormir de olho aberto. Descobri um tempo desse que faço isso vez em quando. Olha, é bom...

5-     Fazer um jantarzinho pros amigos;

6-     Receber assim, de repente , um telefonema de Flavão dizendo:    “ E aí, Coroa, vâmo tomar um café? ”

7-     Fofocar na cozinha. Um clássico;

8-     Calça xadrez com camiseta básica preta. Ou vestido na altura do joelho. É batata;

9-     Sushi da singela lanchonete de dona Suna, na Conselheiro Portela. Ótimo,barato e com direito ao seu  legítimo sotaque taiwandês;

10- Chorar de emoção com capítulo de novela ou algo que o valha, sozinha, em casa, com a certeza absoluta de que ninguém tá vendo;

11- Escutar Victor dizer: “Aaacho que não...”, quando algum adulto tenta enganá-lo;

12- “Dormir até acordar”. O sonho de muitos...

 

     Eu recomendo (Parte II):

 

1-     Acordar numa linda manhã de sábado escutando ao longe ( assim... bem ao longe) a gritaria de homens jogando seu futebolzinho sagrado de final de semana. Ô, inocência masculina...

2-     Tomar um comprimido efervescente de redoxon com zinco. È igual, eu disse:IGUAL, a beber a saudosa Crush!!!

3-     Comer o bolo de pé-de-moleque da padaria do Espinheiro. Mas só o de lá!

4-     Ver Victor fazendo um biquinho, fingindo que não quer rir;

5-     Se for a favor do transporte coletivo, prefira o Casa Amarela-Cruz Cabugá;

6-     Observar, nem que seja uma vez por ano, a luzinha do crepúsculo, aquela que fica alguns segundos, pode-se assim dizer, antes do anoitecer;

7-     Hermes e Renato para o fim de um dia estressante ;

8-     Ver um homem chorar. É indescritível, não tenho palavras...

9-     Banho de maaaarrrrr...

10-Escutar Chet Baker pra começar o dia , enquanto toma banho.

COLUNA SOCIAL

NOTA 0

Para aqueles repórteres que posicionam o bendito caderninho e caneta em cima ( num tô exagerando não ) do entrevistado. E por mais que a gente implore o danado pensa que o caderno é parte da composição.

 

NOTA 10

Para todas as manhãs de sábado...

 Foto: Alcione Ferreira

 

Não.Não é Cuba, é Rua Velha, bairro da Boa Vista, centro esquecido de Recife.

Foto: Alcione Ferreira

 

Quando estiver com mais tempo conto porque tenho ido tanto por lá que acabei me apaixonando por esse lugar.

RELATO DE UMA NÁUFRAGA

Fotos: Alcione Ferreira

De todas as aventuras hard que já vivi nessa meia década de labuta jornalística, talvez a mais espinhosa, dolorida, cruel, vil, aterrorizante e não sei mais que adjetivo usar, tenha sido fotografar o naufrágio de rebocadores em alto mar

  

Acho que aqueles que sofrem do mesmo pânico que eu sabem do que estou falando.... para aqueles que não, lamento por não ser lá muito boa com palavras ( nessas horas sempre penso no texto cheio de climas e sensações de Samarone ). E realmente palavras não serão capazes de descrever o perrengue que essa que vos escreve passou na última quarta-feira. Eu rodeada de água ( linda a cor da água quando se chega ao oceano) , rodeada de mergulhadores, rodeada de outros jornalistas... e rodeada de medo, litros e litros de medo azul.

 

 Nunca na vida, nem mesmo na maior ressaca da minha vida vomitei tanto ( desculpem-me a carga verídica do relato). Foram ao todo, até onde conssegui contar, seis vezes mirando naquele azul lindo... eis aí minha rélis contribuição para a vida marinha. Ah, tive diarréia também por conta da perda excessiva de líquido e do sol forte ( sorry novamente), mas aviso logo que na lancha tinha banheiro.

Bom... se me perguntarem se faria tudo de novo respondo de pronto: NÃO. Um não bem grande e gordo. Podem me jogar numa favela no meio de um tiroteio, numa persseguição de carro, numa pancadaria de baile funk ( essa história já contei aqui no hard ), numa rebelião de presídio, no desfile do Elefante ou Ceroulas ( quem já cobriu sabe do que estou falando ). Gosto de emoção jornalística mas não em alto mar...

P.S. - Teve um momento lá na lancha que acabaram decidindo que seria melhor para minha saúde ( eu estava quase que totalmente desidratada) pegar o bote salva-vidas dos bombeiros e retornar pro continente amado. Voltando naquele botinho em direção a um outro rebocador, morrendo de medo e de ressaca lembrei do náufrago de Garcia Marquez, senti tanta raiva na hora... hmr, bicho mentiroso...

 

 

Notícias de ontem...

Fotos: Alcione Ferreira

 

Há uma semana venho tentando atualizar este blog. A tarefa, por si só, não é difícil, a dificuldade mesmo está no fato de ter de lidar e, por vezes vencer, minha desorganização e minha velha mania de deixar coisas importantes ou não para mais tarde.Taí uma das coisas que realmente odeio em mim mesma.

Mas, vamos pôr o assunto em dia: semana passada eu asssiti a um eclípse solar pela primeira vez em minha vida.  Maravilhoso . Outro agora só em 2046. Por falar em números, 2046 também é o nome do filme que fui assistir neste mesmo dia, por sinal era sua última exibição nesta cidade. Só me toquei da coincidência quando estava voltando pra casa.

Tanto o eclípse quanto o filme tiveram o mesmo efeito sobre esta criatura que vos escreve e sofre com um torcicolo de lascar: fiquei sem piscar e com as pernas meio bambas com tanta beleza e delicadeza. Foi um dia feliz, pode acreditar.

Quando 2046 ( o ano ) chegar não sei se estarei viva para assistir o próximo eclípse solar, mas se estiver também não sei se terei coragem de acordar tão cedo pra ver o fenômeno. Quanto a 2046, o filme... bom, esse é mais fácil de ser revisto, mas vai entrar primeiro na " lista dos filmes que prometi a mim mesma que iria rever " . A lista é extensa, talvez eu o deixe, propositadamente, para daqui a quarenta anos. Só pra fazer um charminho, sabe...

P.S. - Estas fotos e este texto são dedicados a Karlinha, minha prima, que não viu o eclípse e  não viu o filme porque virou uma flor. Saudades...

 

 

 

DEU NO FOTOSITE

Senhoras e senhores, apresento-lhes a foto mais cara do mundo. Pela bagatela de US$ 2,9 milhões uma criatura excêntrica arrematou, num leilão de Nova Iorque, a foto Pond-moonligth de autoria do fotógrafo Edward Steichen.

Tenho certeza que o pobre do Steichen ( que Deus o tenha) jamais imaginaria que uma simples e tão despretenciosa foto fosse um  dia ter a importância de ser leiloada. Muito menos que fosse disputada a tapa. Pior ainda, que acabasse valendo uma fortuna do c...

 

 

Todo Carnaval tem seu fim...

 Foto: Alcione Ferreira

Pronto. Passou.  E vou dizer uma coisa: até a sexta-feira, à noite, eu ainda não sabia direito o que iria fazer no carnaval. Fantasia eu sei que tinha, já tinha sido devidamente informada dos dias em que iria trabalhar. Até uma pequena mas providencial feira básica eu fiz, para depois não ter que pedir açúcar ou água mineral no vizinho.

 

O negócio é o seguinte: há mais ou menos dez anos fui devidamente apresentada ao carnaval. Sim, desse tempo pra cá, todo carnaval eu acampava em Olinda, na casa da minha amiga Verônica ( olindense legítima), junto com Vrinha Moraes ( doutora em carnaval), Maria Carmen ( outra Olindense) e mais um ou outro agregado. Lembro bem, eu me mudava pra Olinda já na sexta-feira, ia pra casa de Veva e lá ficava até a quarta de cinzas. Depois , aos poucos , retornava para o calendário, porque em Olinda, durante o carnaval, vc se esquece dos dias, datas, das horas, de comer, de dormir. Parece que só existe a rua, as ladeiras, aquele mundo fascinante e irresponsável.

 

Bom... hoje, envergonhada,  confesso que já não estou mais nesse contexto. Não aproveitei quase nada do Carnaval, quero dizer, não como antes. Fiquei na minha casinha mesmo, o que não quer dizer que não dei as caras na festa. Fui ver o Galo, dia seguinte estava em Olinda, dando uma passada, mais tarde,  pelo bairro do Recife, estava com amigos, o que foi muito legal e isso não tem preço. Mas não suei a alma não. Fiquei quieta...optei pelo silêncio da minha casa. Vez por outra me repreendia... e pensava: “ que vergonha, eu não estou curtindo o carnaval, estou cheia de saúde, e prefiro ficar em casa?”. Pensei até que poderia estar doente da alma, com olhado, precisando de alguma vitamina... mas acho que não. Prefiro pensar que optei pelo silêncio. O que não deixa de ser vergonhoso.

 

Mas aproveitei esse “retiro” para observar as coisas ao meu redor. De fato estava desacostumada com a vida que circula por fora da festa, afinal de contas foram dez anos de folia. Notei que os super- mercados abrem, algumas padarias, os cinemas, e até os carteiros fazem suas entregas. O caminhão do lixo também passou lá na minha rua, e vi gente fazendo outros programas como se não fosse  carnaval. Pensava eu que na folia de Momo, se vc não se entrega a festa ou não abandona a pátria vai, inevitavelmente, viver tempos de guerra. Não é bem assim, deu pra notar. Mas a vida fica um pouco sem graça.

 

 

 

 

 Foto: Alcione Ferreira

 

É , preparados ou não...ele CHEGOU!!!

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