Todo Carnaval tem seu fim...

 Foto: Alcione Ferreira

Pronto. Passou.  E vou dizer uma coisa: até a sexta-feira, à noite, eu ainda não sabia direito o que iria fazer no carnaval. Fantasia eu sei que tinha, já tinha sido devidamente informada dos dias em que iria trabalhar. Até uma pequena mas providencial feira básica eu fiz, para depois não ter que pedir açúcar ou água mineral no vizinho.

 

O negócio é o seguinte: há mais ou menos dez anos fui devidamente apresentada ao carnaval. Sim, desse tempo pra cá, todo carnaval eu acampava em Olinda, na casa da minha amiga Verônica ( olindense legítima), junto com Vrinha Moraes ( doutora em carnaval), Maria Carmen ( outra Olindense) e mais um ou outro agregado. Lembro bem, eu me mudava pra Olinda já na sexta-feira, ia pra casa de Veva e lá ficava até a quarta de cinzas. Depois , aos poucos , retornava para o calendário, porque em Olinda, durante o carnaval, vc se esquece dos dias, datas, das horas, de comer, de dormir. Parece que só existe a rua, as ladeiras, aquele mundo fascinante e irresponsável.

 

Bom... hoje, envergonhada,  confesso que já não estou mais nesse contexto. Não aproveitei quase nada do Carnaval, quero dizer, não como antes. Fiquei na minha casinha mesmo, o que não quer dizer que não dei as caras na festa. Fui ver o Galo, dia seguinte estava em Olinda, dando uma passada, mais tarde,  pelo bairro do Recife, estava com amigos, o que foi muito legal e isso não tem preço. Mas não suei a alma não. Fiquei quieta...optei pelo silêncio da minha casa. Vez por outra me repreendia... e pensava: “ que vergonha, eu não estou curtindo o carnaval, estou cheia de saúde, e prefiro ficar em casa?”. Pensei até que poderia estar doente da alma, com olhado, precisando de alguma vitamina... mas acho que não. Prefiro pensar que optei pelo silêncio. O que não deixa de ser vergonhoso.

 

Mas aproveitei esse “retiro” para observar as coisas ao meu redor. De fato estava desacostumada com a vida que circula por fora da festa, afinal de contas foram dez anos de folia. Notei que os super- mercados abrem, algumas padarias, os cinemas, e até os carteiros fazem suas entregas. O caminhão do lixo também passou lá na minha rua, e vi gente fazendo outros programas como se não fosse  carnaval. Pensava eu que na folia de Momo, se vc não se entrega a festa ou não abandona a pátria vai, inevitavelmente, viver tempos de guerra. Não é bem assim, deu pra notar. Mas a vida fica um pouco sem graça.

 

 

 

 

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